segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Peregrino: O livro e a ópera


“O Peregrino”


(Dedicado ao leitor Adonias dos Reis Santiago, de Brasília)

A verdadeira felicidade só é encontrada quando definimos o propósito da nossa existência” (W.Cowper)

Antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial os evangélicos brasileiros foram incentivados a ler O Peregrino, de John Bunyan (1628-1688), a maior obra alegórica da literatu-ra inglesa.
Presenteado por Frederica Torres (1897-1981), tia e
mãe adotiva, li “O Peregrino” em 1939, quando tinha 10 anos de idade. Esse livro me orientou em alguns passos importantes.
                  Lembro que era fácil encontrar nos lares evangélicos um quadro intitulado “Os dois caminhos”, talvez inspirado pela alegoria de Bunyan, que simbolicamente dizia: “O cristão não pertence a este mundo; está marchando para o Céu”. Bunyan tinha uma nova “visão de mundo” (ver: Bunyan, John. O Peregri-  no. São Paulo: Imprensa Metodista, 1972; Editora Mundo Cris- tão, 1981).
                   Os meninos de nossos dias podem assistir o filme “Pilgrim’s Progress – Journey to Heaven”, produzido em 2008 por Danny Carrales, com Terry Jernigan. É uma adaptação para as crianças do livro de Bunyan.
Bunyan, ao escrever “The Pilgrim’s Progress” (entre
1667 e 1672), igualou-se a John Milton (1608-1674), na opinião do crítico literário Otto Maria Carpeaux. Este erudito intelectual comparou o começo da alegoria de Bunyan (“As I walked through the wilderness of this world”) com o da obra de Dante (“Nel mezzo del camin di nostra vita”), fazendo um paralelismo moral entre a Itália (século XIII) e a Inglaterra (século XVII).
                   Lembrou o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw que o inglês Bunyan foi afastado do teatro pelo Puritanismo.
Segundo o poeta Samuel Coleridge (1772-1834) a
obra foi escrita “no mais vulgar estilo; se você quiser melhorá-lo, deverá destruir a realidade da visão”. O realismo de muitos personagens pode ser reconhecido na experiência diária, decor-ridos 350 anos da elaboração da alegoria.
                   O estilo literário, no início do século XVII,  ainda era douto (William Shakespeare, 1564-1616) e realizou a versão do rei Tiago para a Bíblia inglesa; no fim, a prosa simples de Bu-nyan tornou-se a característica da língua inglesa moderna.
                   Devemos ponderar que os Dissidentes (batistas e ou-tros evangélicos) sofreram sob o código de Edward Clarendon (1609-1674): foram excluídos da vida política, da administração municipal e das universidades. Apesar disso, foi uma época mui-to importante da literatura inglesa.
                   Bunyan escreveu “O Peregrino” durante o período que passou na prisão(1660-1672),no reinado de Carlos II (1660-1685) era pastor da igreja batista em Bedford e favorecia o canto con- gregacional. No “Baptist Hymnal”(1975) figura seu hino “He Who Would Valiant be”, escrito em 1684, um dos mais antigos da hinodia batista.
                   Apelando à classe média inferior inglesa, Bunyan transmitiu para a posteridade muito do que era nobre no Puritanismo britânico.
                   Em seu livro, Bunyan descreve a viagem de “Christ-ian” (Cristão), da Cidade da Destruição para a Cidade de Deus, passando pelo Desfiladeiro do Desespero, a Aldeia da Moral, a Colina da Dificuldade, o Vale da Humilhação, a Feira das Vai-dades e o Rio da Morte, usando citações e alusões bíblicas.
                   Em 1987, em São Paulo, tomamos conhecimento da existência de uma gravação, em disco LP, da “moralidade” de Vaughan Williams, baseada na alegoria de Bunyan, feita sob a regência de Adrian Boult.
                   Agora, graças ao mecenato praticado pelo nosso amigo Rosber Neves Almeida, temos a gravação, em disco CD de 20-bit, realizada em 1997, com o Coro e a Orquestra da Royal Opera House, regidos por Richard Hickox.
                   O compositor britânico Ralph Vaughan Williams (1872-1958) tinha compilado canções folclóricas e organizado edições de música religiosa inglesa, além de compor sinfonias e óperas. Impressionado pela busca de Bunyan, VW refletiu sobre a fé puritana e a ética evangélica em seus dias; podemos comparar a arenga evangélica e a ideologia burguesa do século 21.
                   VW teve a ideia de compor uma ópera baseada em “O Peregrino”; ela surgiu em 1906 quando compôs uma melodia para a canção “Who would  true valour see, let him come hither”, que Bunyan pôs na boca do personagem “Cristão”.
                   Outros episódios foram compostos entre 1925 e 1936, quando VW parece ter decidido que alguns temas seriam aproveitados em sua Quinta Sinfonia (1943); vários temas da sinfonia aparecerão na “moralidade” (1951).
                   Depois de 45 anos, VW viu concretizar-se o seu sonho: em 26 de abril de 1951, no Covent Garden, em Londres, ocorreu a estréia da obra, dividida em prólogo, quatro atos e epílogo.
                   O compositor insistiu que a obra destinava-se ao pal-co, e não ao templo.
                   Apesar de suas deficiências dramáticas, a obra ofere-ce esplendor musical: no prólogo, quando o Pererino entra e grita: “Que farei?”; nas cenas da “House Beautiful” (Ato I) e da “Vanity Fair” (Ato III); no monólogo do Peregrino na prisão; no episódio das “Delectable Mountains” (Ato IV); nos “aleluias” do Peregrino. Os “quatro vizinhos” de Bunyan contrastam com os “três amigos” de Jó.
                   VW compilou o libreto; à alegoria de Bunyan, fez vá-rias adições, extraídas dos Salmos e outras fontes bíblicas; usou o nome “Peregrino”, ao invés de “Cristão”, porque conce-bia o personagem principal como alguém muito interessado na vida espiritual ... O propósito de sua obra era alcançar todos os que se preocupam com a vida espiritual. Alguns versos foram escritos por Ursula Vaughan Williams. Ela admitiu que seu mari-do tinha sido ateu durante o curso na universidade de Cambrid-ge, e que mais tarde tornara-se agnóstico.
                   Embora trate de assunto religioso, a obra de VW não pertence ao gênero sacro (ver: Herbert Murrill, “Vaughan Willi-ams’s Pilgrim”, Music & Letters, XXXII, 1951, p. 324).     
                   Filho de pastor anglicano, VW conhecia bem as tradições musicais; compôs melodias para hinos do “The English Hymnal” (1906) e “Songs of Praise”.
                   “O Peregrino” termina quando o personagem “Bunyan” chega ao centro do palco e apresenta um livro aos espectadores, dizendo: “Este livro fará de ti um viajante; ele te conduzirá à Terra Santa, se quiseres entender as suas instruções; então, vem, e põe o meu livro junto à tua cabeça e ao teu coração”  
                   Recomendamos esta obra de Vaughan Williams alertando para a circunstância de que, embora seja religiosa, não é sacra.                                      

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Brasília, DF, 08 de agosto de 2016.

Rolando de Nassau.

Assista a trecho da ópera:

sábado, 13 de maio de 2017

Cartazes de utilidades para sua igreja - Baixe e imprima


Brincando no site Canva, que permite a edição de artes online, como capas de livros, folhetos, cartazes etc. (a maioria gratuitas), criei esses cartazes bem simples (tamanho A4, formato pdf) para você baixar e imprimir. Uma espécie de pequeno mural para você marcar seus objetivos de intercessão pela causa missionária. Um em fundo rosa e com símbolos de coração, claro, feminino, e outro sem os símbolos e em fundo azul. Bom para jovens e murais de igreja.
Elaborei também um cartaz para anotações de roteiro ou cronograma de ações missionárias. Pode ser uma missão de curto prazo, um impacto evangelístico ou qualquer outro trabalho de sua igreja.
E ainda uma página de Plano de Aula para Escola Bíblica Dominical, com espaço para marcações como Objetivos, Avaliações etc.
E por fim, mais um pequeno cartaz, com as divisões dos meses do ano, para demarcação anual de eventos, festividades e outras programações de sua igreja.


Para baixar o cartaz de oração AZUL pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o cartaz de oração ROSA (feminino) pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o cartaz CRONOGRAMA para ações missionárias, CLIQUE AQUI
Para baixar o cartaz DATAS de eventos da Igreja, CLIQUE AQUI.
Para baixar a página PLANO DE AULA para EBD, CLIQUE AQUI.

sábado, 6 de maio de 2017

Textos de Lutero: Firme até o fim


Leia em sua Bíblia: Salmo 27.1-6 
“O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (v. 1) 

 Certamente, também há repouso, mesmo em meio à tentação. Agora, Deus faz com que as coisas sempre vão morro acima, morro abaixo e, logo, outra vez, morro acima. Ora é noite, ora é dia, e logo volta a ser noite, e nem sempre é dia. O dia e a noite se sucedem, assim que ora é noite, ora é dia e, logo em seguida, é noite outra vez. É assim que ele governa a sua Igreja cristã, como mostram todas as histórias do Antigo e do Novo Testamento. 
E isso se chama força, a saber, que o Senhor não é um conselheiro e consolador daqueles que se limitam a palavras e não fazem nada além disso. Não, ele também ajuda para que tudo seja superado. Quando estamos em meio à tentação, ele nos dá seu fiel conselho e nos fortalece com sua palavra, para que não desfaleçamos de fraqueza, mas possamos ficar firmes. Agora, quando é chegada a hora e já sofremos o suficiente, ele se põe do nosso lado com seu poder, para que superemos o momento crítico e saiamos vitoriosos. Precisamos de ambas as coisas: o conselho para nos consolar e sustentar no sofrimento, ou seja, consolo em meio às tentações e sofrimentos, para que não sucumbamos, mas tenhamos esperança e paciência. É assim que ele dirige toda a cristandade. É assim que ele governa. Quem desconhece isso, não sabe o que significa ter Cristo por Rei.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Congresso Nacional da Cru Campus - Fortaleza- CE



Congresso Nacional da Cru Campus | De 15 a 18 de junho de 2017 em Fortaleza, CE | INSCRIÇÕES ABERTAS: www.congresso.crucampus.org.br

Você já perguntou o que Deus espera de você HOJE?
Por que pensamos, tantas vezes, que a vontade dEle tem a ver com o futuro, apenas? Onde você está agora? E se nós disséssemos que Deus tem um plano pra você agora, enquanto você está na universidade?
Ao longo de mais de 20 anos atuando nas universidades do Brasil, somos testemunhas do amor que Deus tem pelos universitários e de como Ele tem transformado tantas vidas. Temos tido o privilégio de ver nossas vidas e as de nossos amigos serem usadas por Ele. Mas queremos mais. E isso tem tudo a ver com você.
Oramos para que Deus use este congresso para mostrar o que Ele espera de você, não no futuro, mas hoje!

terça-feira, 25 de abril de 2017

MULTIMÍDIA NA IGREJA - Entrevista com Ricardo Silva Lourenço

Para fornecer suporte de sonorização, computação e apresentação de imagens e vídeos nos cultos e eventos da igreja  e aperfeiçoar o processo de comunicação nas Igrejas surgiu a Área de Apoio Multimídia.

São várias as atribuições da Área (Ministério/Departamento) de Multimídia como: Fornecer suporte de som e multimídia para os cultos, reuniões e outros eventos da igreja; por meio da projeção de slides com as letras dos louvores, textos bíblicos, programações e eventos da igreja, avisos referente à outras áreas.  Produção, edição e transmissão de vídeos diversos. Capacitar os integrantes da área nas competências necessárias para o excelente uso e manutenção dos equipamentos de som, computação e multimídia; Motivar e agregar voluntários para o aprimoramento no uso de tecnologias de som e multimídia;  Zelando dos equipamentos de som, computação e multimídia da igreja e supervisionando seu uso adequado, prestando sempre relatório de suas atividades.  
Mas será que qualquer igreja deve fazer uso da Multimídia?
Num bate-papo com o Instituto Jetro, Ricardo Silva Lourenço, Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Arthur Thomas - FAAT e que atua desde 2010 na Igreja Presbiteriana Independente de Londrina como Operador de Áudio e Vídeo Sonoplastia, iluminação, filmagem, edição de áudio e vídeo responde alguns questionamentos sobre o tema. 


Instituto Jetro - A visão de que equipamentos de multimídia são caros e devem ser atualizados frequentemente tem dificultado a inclusão da área de apoio de multimídia nas igrejas? Esta é uma visão correta?  
Ricardo - Realmente os equipamentos de ponta são caros, mas eu acredito que toda igreja tem condição de criar uma Área de Apoio de Áudio e Vídeo. Só precisam de uma orientação correta da forma de como investir e se a igreja tiver uma boa condição financeira ou pessoas na igreja dispostas a investir nessa área, vale muito a pena já comprar um equipamento bom. Lembrando que nem sempre o equipamento mais caro é o ideal para sua realidade, por isso a importância de uma boa orientação, saber bem qual o propósito dessa área de apoio. Já vi Igrejas que começaram com um pequeno equipamento de som e gravação das mensagens em Cds  e que com a venda dos mesmos comprou mais equipamentos e passou a produzir DVDs, por exemplo.

Instituto Jetro - Você acredita que igrejas de qualquer tamanho podem explorar a multimídia como uma ferramenta de comunicação? 
Ricardo - Acredito sim, hoje na nossa igreja caminhamos bem próximos com a Área de Apoio de Comunicação, todos recados, avisos e programações da igreja são gravados em vídeos, editados e repassados nos cultos e nas nossas redes sociais, com isso essa mensagem tem uma maior abrangência ou alcance. Um bom equipamento ajuda, mas os jovens da nossa igreja, já fizeram vídeos muito bons, utilizando gravação pelo celular mesmo.


Instituto Jetro - Tem crescido o número de pessoas com experiência em computador, edição de vídeo e de áudio, mas ainda é difícil a captação de voluntários para área?

Ricardo - Acho que a maior dificuldade é a visão que as pessoas tem de ser uma função bem técnica, mas é uma área de apoio bem abrangente, com diversas funções, creio que cada um de nós temos que ter no nosso coração a visão ministerial, hoje eu sou funcionário contratado na minha igreja, mas acima disso tenho isso como meu ministério, e me sinto privilegiado por isso. A parte espiritual é bem importante, considero cada voluntário ou membro da área de apoio como um ministro na sua função, mesmo que seja mixando um PA, trocando a letra de uma música, mexendo em uma câmera, ou ajudando a enrolar cabos no final dos cultos.


Instituto Jetro - Poderia compartilhar algumas ideias que possam ajudar na formação de uma área de apoio multimídia nas igrejas? 
Ricardo - Acredito que devemos sempre buscar pessoas que já fazem parte da igreja, já frequentam as programações, já tem o coração na igreja. Aí depois vem a parte de capacitação, se não tiver alguém na igreja para ensinar, temos diversos cursos para capacitação (de maneira presencial ou pela Internet) que podem dar essa orientação inicial  e depois vem a prática da caminhada. 

Instituto Jetro -  Por que as Igrejas deveriam investir numa área de apoio Multimídia? 
Ricardo - Nos dias de hoje temos que buscar explorar cada vez mais recursos audiovisuais, o mundo tem feito isso, e temos que ser criativos, essa nova geração busca isso. Nossa igreja é bem grande e temos diversos cultos, desde um culto de domingo 8h no templo mais tradicional até um culto de jovens num sábado à noite, nesse culto de jovens utilizamos mais recursos audiovisuais. Em todos os cultos vemos o mover de Deus, mas as pessoas buscam já ir no culto de acordo como o perfil de cada um, é importante falarmos, que um bom som com iluminação não necessariamente é um "show", muitos tiveram essa visão quando colocamos iluminação nos cultos, mas temos o coração bem tranquilo em relação a isso, estamos buscando fazer o melhor com o que temos para Deus.

Instituto Jetro - Comentários finais sobre o assunto? 
Ricardo - Nós da área de apoio de Áudio e Vídeo somos um ministério de bastidores, normalmente somos os primeiros a chegar e os últimos a sair, quanto menos aparecemos melhor, significa que nosso trabalho está sendo bem feito. Nossa melhor recompensa? Vidas, vidas transformadas, tocadas, quando o grupo de louvor chega para ensaiar e encontra tudo pronto e organizado, ele já vai ter mais paz e segurança para a ministração, o pastor quando recebe o momento da palavra a igreja já envolvida na adoração, já com o coração aberto para receber a palavra, quando ele fala e percebe que está sendo escutado, sem ruídos, e a palavra entra no coração das pessoas, algumas já foram tocadas na adoração mesmo, com uma letra de um cântico projetada que tocou seu coração, o fruto disso são pessoas tocadas, mudanças de vidas, pessoas consoladas, quando nós como área de apoio executamos nossas funções, passamos segurança para nossos pastores e membros do louvor ministrarem a igreja. O principal é sempre termos bem claro em nossos corações, tudo que fazemos é para que o nome de Deus seja glorificado, e que estamos aqui para servir a Ele.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

sábado, 15 de abril de 2017

Capelania Militar: A História dos Quatro Heróis Capelães




Na madrugada do dia 3 de fevereiro de 1943, às 00:55, o navio USAT Dorchester, viajando num comboio, foi torpedeado pelo submarino alemão U-223, no Atlântico Norte.

O torpedo destruiu o sistema elétrico, deixando às escuras o navio. O pânico gerou-se entre os homens a bordo, muitos deles ficaram presos por baixo do convés. Carregado de soldados norte-americanos que iam a caminho da frente de batalha na Europa, durante a II Guerra Mundial, o navio com rombos, metia muita água e começou a adornar para estibordo. Instalou-se o caos. A rádio estava avariada. Os soldados corriam dum lado para outro, em círculos, apavorados. Muitos foram para o convés, sem o colete salva-vidas. Barcos salva-vidas viraram-se, e as balsas afastaram-se, antes que alguém pudesse alcançá-las.

Mais tarde, alguns dos sobreviventes disseram que parecia haver apenas uma pequena ilha de ordem em toda aquela confusão: o convés do navio USAT Dorchester, a estibordo, onde estavam quatro Capelães.

George L. Fox (15 de março de 1900 - 3 de fevereiro de 1943), pastor metodista, Alexander D. Goode (10 de maio de 1911 - 3 de fevereiro de 1943), rabino judeu, John P. Washington (18 de julho de 1908 - 3 de fevereiro de 1943), padre Católico e o reverendo Clark V. Poling (7 de agosto de 1910 - 3 de fevereiro de 1943), da Igreja Reformada nos Estados Unidos da América, calmamente, distribuíam coletes e guiavam os homens aterrorizados para os barcos salva-vidas. Os capelães procuraram acalmar os homens e organizar uma evacuação ordenada do navio e também guiaram os homens feridos para a segurança. E iam distribuindo coletes de salvação.

Quando já não havia mais coletes de salvação, antes que todos os náufragos tivessem um, os quatro capelães despiram os seus e deram-nos a quem mais precisava deles. Um dos últimos homens a deixar o navio olhou para trás e viu-os de pé, firmes. Abraçados, seguravam-se no convés. No meio da ululação das ondas, as suas vozes ainda ressoavam ao orarem em latim, hebraico e inglês. Como disse um marinheiro: “Foi a coisa mais impressionante que jamais vi, ou espero ver.”

Um sobrevivente disse mais tarde ter ouvido o choro de centenas de homens implorando, orando e fazendo promessas. Os capelães diziam palavras de ânimo e de confiança. “A voz deles era a única coisa que me fazia prosseguir”, disse ele.

Eles ajudaram a tantos homens quanto podiam a metê-los nos botes salva-vidas, e com os braços entrelaçados, em seguida, orando e cantando hinos, afundaram-se com o navio.

“Enquanto eu nadava para longe do navio, eu olhei para trás. As chamas tinham iluminado tudo. A proa subiu ao alto e depois deslizou para baixo. A última coisa que eu vi, foram os quatro Capelães a orar pela segurança dos homens. Eles fizeram tudo o que podiam. Eu não voltei a vê-los novamente. Eles próprios não tinham possibilidade de salvação sem coletes salva-vidas.” — relato de Grady-Clark, sobrevivente.

Ao todo, dos 904 homens a bordo do navio, apenas 230 foram resgatados.

O que pôde manter os quatro Capelães calmos no meio daquele inferno? A paz com Deus. “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5:1 ARC, Pt) A palavra hebraica para paz é shalom, cujo radical quer dizer “estar completo.” Quando estamos em paz, estamos completos. Nenhuma ansiedade vai perturbar-nos. Nenhum temor destruirá a nossa alegria interior. Nenhuma preocupação extinguirá a nossa felicidade espiritual. Em qualquer circunstância, Deus oferece-nos o dom da Sua paz. “Uma pessoa em paz com Deus e com os seus semelhantes não pode ser uma pessoa infeliz. …O coração em harmonia com Deus eleva-se acima dos aborrecimentos e das provas desta vida.” – in “Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, pág. 488.” “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em Ti; porque ele confia em Ti.” (Is 26:3 ARC, Pt) Que dádiva! A paz de Deus pode ser nossa, hoje!


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Textos de Lutero: Permanecei no meu amor



Leia em sua Bíblia: João 15.5-11
Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor”. (v. 9)

O diabo não procura outra coisa senão destruir o amor entre os cristãos, promovendo bastante ódio e inveja. Ele tem nisso seu prazer e alegria. Pois ele sabe muito bem que a cristandade é edificada e sustentada pelo amor.
Por essa razão, Cristo nos admoesta ardentemente a que antes tudo permaneçamos no amor, e apresenta seu Pai e a si mesmo como modelo, como o mais nobre e mais perfeito exemplo. Meu Pai (ele está querendo dizer) me ama tanto assim, que dirige para mim todo o seu poder e força. De momento, ele permite que eu sofra, mas tudo que faço e padeço ele toma como se fosse feito a ele. E depois vai ressuscitar-me dentre os mortos, me fará Senhor sobre todas as coisas e glorificará sua majestade divina em mim. Assim (diz ele) eu amo vocês. Pois não os deixo em seus pecados e na morte, mas dou meu corpo e minha vida por vocês para que se livrem deles, e transfiro para vocês minha pureza, santidade, morte e ressurreição, bem como os demais méritos.
Por isso tenham também vocês o mesmo amor uns para com os outros. Mesmo que por minha causa vocês sejam duramente tentados e pressionados a se afastarem de mim, fiquem firmes. Deixem que meu amor seja mais forte, maior e mais poderoso do que o sofrimento ou a dor que vocês sentem.
Por isso, seguindo o exemplo de Cristo, devemos aprender a pôr em prática este mandamento, cada um amando o próximo dentro do seu respectivo estado (N. T.: os diferentes estados aos quais Lutero de refere são os de pai, mãe, filho, empregado, etc.).


sexta-feira, 24 de março de 2017

Panfleto Refutando as Testemunhas de Jeová


Preparamos em formato de panfleto uma reunião de versículos que refutam algumas das crenças dos TJs.
É um material ideal para você guardar em sua Bíblia, e serve ainda como marcador de página. São três panfletos numa página, para você imprimir, recortar e compartilhar com outros irmãos.

Abaixo o texto na íntegra:

Refutando as Testemunhas de Jeová
Abaixo estão as localizações de textos da Bíblia que provam sem dúvida as principais doutrinas da igreja cristã que são negadas pelas Testemunhas de Jeová.
Guarde este folheto em sua Bíblia. Se possível, verifique estas passagens antes de ter uma discussão com uma Testemunha. Esteja preparado para defender a si mesmo e sua fé e mostrar aos outros os erros de seus ensinamentos.

Deus é Triuno (Doutrina da Trindade):
Mt 28:19; Mt 3:16, 17; Gn 1:26;
("Nós": Gn 11:7)

A Deidade de Cristo (Cristo é verdadeiramente Deus):
Jo 1:1; 5:18; 5:23; 8:58; 17:5; 20:28;
Is 7:14; 9:6; Fm 2:8-11; Hb 1:1-4; 13:8; Rm 9:5; 
1Jo 5:20

A Ressurreição Física de Cristo:
Lc 24:39-44; Jo 20:27, 28; Mc 16:14; 1Co 15:15

O Retorno Físico de Cristo:
Ap 1:7; Mt 24:30; 1Ts 4:16, 17; Zc 2:10

A Existência do Inferno e Punição Eterna:
Ap 20:15; Mt 5:22; 8:11, 12; 13:42, 50; Ap 14:9-11

O estado final de Satanás:
Ap 20:10; Mt 25:41

Governo humano ordenado por Deus:
Rm 13:1-7

A Existência da Alma:
Is 55:3; 1Co 6:20; At 7:59; Jó 32:8; Gn 1:26
(Homem criado à imagem de Deus: 1Co 11:7);
Mt 26:38

A Satisfação Completa da Obra de Cristo:
(Expiação Infinita): Rm 5:10, 11, 17, 19;
Jo 1:29, 6:44; Ap 13: 8; Lv 17:11; Hb 9:22;
1Pe 2:24; Cl 1:20; 2Co 5:21

  
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quarta-feira, 15 de março de 2017

500 anos de Reforma: Argula von Grumbach, defensora da fé

Argula von Grumbach,

 defensora da fé


Argula von Grumbach foi uma mulher valente que levantou a sua voz e a sua pluma para defender a Reforma desde os seus inícios. Argula tomou parte nos debates teológicos da época, desenvolvendo um ardente trabalho apologético a favor das doutrinas bíblicas e em defesa de Lutero, de Melâncton e doutros Reformadores. Diz-se que foi a primeira escritora protestante, e uma das poucas mulheres do seu tempo cujos poemas, cartas e escritos doutrinais se converteram em verdadeiros bestsellers da época, com dezenas de milhares de exemplares em circulação.



Argula nasceu em 1492 em Beratzhausen na Baviera, na Alemanha, filha de Bernhardin von Stauff e Katharina von Toerring, ambos de famílias nobres empobrecidas. Aos dez anos, foi enviada pelos pais para a corte do duque da Baviera, Alberto IV († 1508). Aí foi educada com as três filhas do duque, segundo o costume da época. Recebeu, por isso, uma esmerada educação. Quando foi enviada para a corte da Baviera recebeu dos pais um presente raro e caro para a época: uma Bíblia Koburger de 1483. Seus pais faleceram em 1509 vítimas da peste. Em 1515/6 enquanto ainda estava na corte do duque da Baviera casou-se com Friedrich von Grumbach, de família nobre da região da Francónia, ao qual deu quatro filhos.


Argula von Grumbach adotou a doutrina de Lutero, com quem travou amizade depois de 1522, tornando-se numa zelosa estudante da Bíblia. O seu primeiro passo na atividade literária foi resultado pela condenação de Arsacius Seehofer. Em 20 de setembro de 1520, não havendo ninguém que protestasse contra a forçada negação do Evangelho feita por Seehofer, ela endereçou ao reitor da universidade do Ingolstadt um protesto, que foi publicada e circulou amplamente.


A carta começava assim: «Ao honorável, digno, ilustre, erudito, nobre e excelso reitor e a toda a faculdade da Universidade do Ingolstadt: Quando ouvi o que tinham feito a Arsacius Seehofer sob ameaças de prisão e de fogueira, o meu coração e os meus ossos estremeceram. O que ensinaram Lutero e Melâncton exceto a Palavra de Deus? Vós os condenastes. Não os refutastes. Onde ledes na Bíblia que Cristo, os Apóstolos e os profetas encarcerassem, desterrassem, queimassem ou assassinassem a alguém? Dizem-nos que devemos obedecer às autoridades. Correto. Mas nem o Papa, nem o Imperador, nem os príncipes têm nenhuma autoridade acima da Palavra de Deus. Não penseis que podeis tirar a Deus, aos profetas ou aos apóstolos do Céu com decretos papais tirados de Aristóteles, que nem sequer era cristão. Não ignoro as palavras de Paulo de que a mulher deve guardar silêncio na igreja (1Tm 1:2), mas, quando nenhum homem quer ou pode falar, impulsiona-me a Palavra do Senhor quando disse “Aquele que Me confesse na terra, Eu o confessarei e aquele que Me negue, Eu o negarei.” (Mt 10:32; Lc 12: 8)


Procuram destruir todas as obras de Lutero. Neste caso, terão de destruir o Novo Testamento, que ele traduziu. Nos escritos em alemão de Lutero e Melâncton, não encontrei nada herético… Inclusivamente se Lutero se retratasse, o que tem dito continuaria sendo a Palavra de Deus. Eu estaria disposta a ir e debater convosco em alemão, e assim não precisariam usar a tradução da Bíblia do Lutero. Podeis usar a de  Koburger de 1483,que se publicou há 30 anos. Tendes a chave do conhecimento e fechais o Reino dos Céus. Mas estais derrotados. As notícias do que tendes feito a este jovem de 18 anos chegaram já a tantas cidades que logo todo o mundo o saberá. O Senhor perdoará a Arsacius, como perdoou a Pedro, que negou ao Seu Mestre embora não o tivessem ameaçado com a prisão nem com a fogueira. Ainda sairá muito bem deste moço. Não vos envio desvarios de mulher, mas a palavra de Deus. Escrevo como membro da igreja de Cristo contra a qual não prevalecerão as portas do inferno, ao contrário da igreja de Roma. Deus nos conceda a Sua graça. Ámen»


Pessoalmente, entretanto, ela não recebeu nenhuma resposta. As autoridades da universidade não se dignaram responder a uma mulher, mas solicitaram ao duque que a castigasse. O chanceler da Baviera Leonhard von Eck (c. 1475-1550) aconselhou a destituir o seu marido e enviá-la a ela para exílio. O seu marido, que era católico, foi destituído de governador de Dietfurt, uma região da Baviera. Os argumentos para que o marido de Argula perdesse o trabalho foram: “Ele não foi capaz de impedir que a sua esposa escrevesse, enviasse e publicasse cartas defendendo ideias reformadas.”


Argula von Grumbach continuou tendo um vivo interesse pela Reforma e manteve uma boa relação com os Reformadores até que morreu aos 64 anos de idade neste dia, 23 de junho de 1568, em Zeilitzheim na Baixa Francónia, situada no norte do estado da Baviera.


Argula von Grumbach é reconhecida hoje, a partir de pesquisas históricas, como sendo a primeira escritora protestante.Ela escreveu cartas que foram publicadas como panfletos, defendendo o ideal da Reforma Protestante com conhecimento teológico e citações bíblicas. E, desta forma, também entrou em conflito com os poderes da sua época. Foram publicadas oito cartas da sua autoria, escritas provavelmente entre setembro de 1523 e outono de 1524. Ela também manteve correspondência e conversas pessoais com os Reformadores. Martinho Lutero referiu-se a ela como “um instrumento especial de Cristo.”


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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